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18/07/2017

Vinhos orgânicos oferecem mais segurança para a saúde, mas…

Vinhos orgânicos oferecem mais segurança para a saúde, mas… não existe nenhum estudo sobre o assunto. Simples assim.  Li vários artigos sobre o tema (como esse) mas todos eles dividem uma característica em comum: nunca fazem o link para um estudo que tenha sido publicado em uma revista cientifica e revisado por pares. No máximo citam outros jornais que citam outros jornais.

Hippie

Esse cara não me parece especialmente preocupado com o processo de vinificação

No dia de hoje, arriscando ser exagerado, mas acho que qualquer artigo que divulgue grandes benefícios à saúde da vinicultura orgânica, natural, biodinâmica ou com um mínimo de intervenção estará, no mínimo, extrapolando conclusões com base em premissas não científicas, não comprovadas e duvidosas.

Vinho orgânico, biodinâmico e com mínima intervenção

Aproveitando o tema, você sabe a diferença entre vinho orgânico,  biodinâmico e com mínima intervenção?

Vinho com mínima intervenção – mais que um modo de fazer vinho, é basicamente uma filosofia que busca valorizar a fruta e o terroir em detrimento da utilização de técnicas consideradas “intervencionistas”. Nada de barricas, leveduras selecionadas, modernos processos de clarificação etc… Basicamente precisa ter coragem e deixar a natureza seguir seu curso.

Vinho Orgânico – feitos a partir de uvas que são cultivadas organicamente, ou seja, sem controle de pragas por herbicidas ou pesticidas e ainda, seu uso de aditivos fertilizantes ou qualquer tipo de produto industrial, o que inclui as leveduras que tem de ser nativas do vinhedo. Dependendo do pais que regule o rótulo “orgânico”, pode significar pouco ou nenhuma adição de sulfitos. É um vinho com mínima intervenção, só que ainda mais radical.

Vinho Biodinâmico – produzido a partir de uma cultura orgânica, mas com uma pegada exotérica, antroposófica e mística. Observa por exemplo o calendário lunar para delimitar as fases do processo. Coisa de louco. Tem regulamentação e até algumas agências certificadoras, sendo a mais famosa a Demeter.

Mas e esses vinhos são bons?

Destaque no começo do texto eu me referia especificamente “benefícios à saúde” o que não significa que estes vinhos não podem ser excelentes, bons ou pelo menos curiosos. Ou ainda, que eles representem uma posição política pessoal como um consumidor que gostaria de apoiar iniciativas mais sustentáveis de agricultura. Nada de errado com isso, eles só não fazem absolutamente nada diferente com a sua saúde. Pelo menos não que se saiba por enquanto.

Falando ainda de vinhos diferentes e mais naturais, mas sem esperar um elixir mágico da saúde, está na nossa agenda a Feira de Vinhos Naturebas da Enoteca Saint VinSaint, que acontecerá no mês de Agosto em São Paulo. Se eu estiver na cidade certamente irei conferir.