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28/08/2017

Boschi Dei Signori, um Barbaresco no #vinhododia

#vinhododia

O #vinhododia de hoje vem do Piemonte, uma belíssima região situada no norte da Itália, com pouco mais de 4 milhões de habitantes onde Turim é a capital. Região dos grandes vinhos Barolo e esse Barbaresco, ambos feitos com a uva Nebiolo, que ao lado da casta Sangiovese, são as mais nobres cepas tintas da Itália.

O nome Nebiolo é baseado nas condições climáticas da região de Piemonte, local conhecido por apresentar uma forte neblina, extremamente presente nas colinas de cultivo da casta na época do outono, período em que a uva é colhida para dar início à elaboração de vinhos tintos poderosos.

Barbaresco

As origens deste vinho e da região se misturam em lendas de várias origens, enquanto alguns narram que os gauleses chegaram à Itália, porque eles foram atraídos pelo vinho Barbaritium de excelente qualidade, outros argumentam que Barbaresco deriva seu nome dos povos bárbaros que causaram a queda o Império romano.

O Barbaresco é produzido na região do Piemonte, imediatamente a leste de Alba, especificamente nas comunas de Barbaresco, Treiso e Neive, mais a uma parte de San Rocco Seno d’Elvio que fazia parte da comuna de Barbaresco e agora pertence a Alba.

Regiões vinícolas da Itália

Regiões vinícolas da Itália

O nome do Piemonte significa, literalmente, “aos pés da montanha”, localização geográfica que influencia tanto no seu clima subalpino quanto o seu idioma, o dialeto piemontês, bastante influenciado pela língua francesa.

Foi concedido o status Denominazione di origine controlata (DOC) em 1966 e Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG) em 1980. A legislação dos seus DOCGs no Piemonte é bastante rígida e dita, inclusive, a altitude na qual podem ser cultivados os vinhedos para a produção de seus vinhos.

O Barbaresco é produzido 100% a partir da uva Nebbiolo, não sendo permitida nenhuma outra casta, produzindo em geral um vinho de cor vermelho granada, normalmente não muito escura. Os aromas evidenciam as marcas da evolução pelo longo amadurecimento obrigatório em madeira, oferecendo especiarias (baunilha, canela, pimenta verde), florais de rosas ou violetas (típicos da casta Nebbiolo), cogumelos secos e terra molhada. O paladar vem marcado por taninos bem vivos, por vezes austeros, e longa persistência. Deve amadurecer pelo menos dois anos, dos quais um em carvalho, mas costuma atingir o seu auge entre 5 e 10 anos, ou mais… É um vinho com um excepcional potencial de guarda.

Na aldeia de Barbaresco a sede do Enoteca Regional onde você pode saborear a maioria dos vinhos produzidos na denominação.

O vinho é freqüentemente comparado com Barolo – outro vinho icônico à base de Nebbiolo da região de Piedmont. Embora os vinhos compartilhem muitas semelhanças, existem algumas diferenças distintas entre eles.

Diferenças entre o Barolo e o Barbaresco

Diferentes solos

A principal diferença em Barolo e Barbaresco está nos solos. O solo em Barbaresco é mais rico em nutrientes e, por isso, as vinhas não produzem tanto tanino como encontrado nos vinhos de Barolo. Ambos os vinhos cheiram a rosas, perfumes e cereja – e ambos têm um acabamento muito longo. O tanino não o atingirá tanto no Barbaresco.

Se olharmos para a composição dos solos de Barbaresco e Barolo, ambos são basicamente a base de argila e calcário, este que adiciona um pH maior (mais alcalino) ao solo que, curiosamente, faz com que as videiras produzam uvas para vinho com um pH menor (mais ácido). Acidez é um componente muito importante para a produção de vinhos de alta qualidade.

Regras Diferentes

As regras da Denominação de Origem dos Barolos exigem que seus vinhos sejam armazenados por pelo menos 3 anos, enquanto a Barbaresco exige apenas 2 anos. Isso pode ser devido aos taninos mais potentes do Barolo que exigem que o vinho envelheça mais tempo antes de ser colocado no mercado.

Envelhecimento
Barolo 3 anos Barbaresco 2 anos
Barolo Riserva 5 anos Barbaresco Riserva 4 anos

Barolo é na verdade cerca de 50 anos mais velho do que Barbaresco e recebeu o nome de uma nobre, a Marquesa de Barolo, na década de 1850. Nesta época, entretanto, era um vinho bastante diferente dos potentes vinhos de hoje, eram bem mais ricos e frutados.

Já o Barbaresco começou sua produção em 1894, tendo uma abordagem semelhante ao Barolo, bem mais frutado. Ambas as regiões sofreram muito com a Phylloxera e produziram vinhos de baixa qualidade durante as Guerras Mundiais.

Somente no pós-guerra, e ainda mais influenciados pela cultura de vinhos na França, que um produtor familiar chamado Gaia começou a trazer qualidade de volta para os vinhos de Barbaresco. Outro excelente passo para a qualidade foi o início do Produttori del Barbaresco (um consórcio de pequenos produtores) em 1958.

Boschi Dei Signori Barbaresco

Apesar da fama dos vinhos do Piemonte que facilmente atingem preços estratosféricos, o Boschi Dei Signori custa na faixa dos R$50,00 o que deixa tudo bem mais divertido.

Depois de aberto, como a cor já denunciava sua idade, resolvi vencer a preguiça e pegar o Decanter, o que pareceu ter sido uma decisão acertada. O vinho cresceu e mostrou um belo corpo e acidez na medida certa, que o tornou muito gastronômico e saboroso. Para quem gosta de madeira, esse tinha bastante junto com café mas tornando um conjunto bem harmonioso.

Apesar do custo, esse Barbaresco mostrou bastante da tipicidade própria da região, o que foi uma agradável surpresa. Recomendo fortemente.