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24/08/2017

Baratos e ruins: 5 vinhos que você deve evitar

Quando você está começando a aprender sobre vinhos e você está em um grande supermercado cercado por literalmente dezenas, as vezes centenas de rótulos diferentes, pode ser um desafio fazer uma boa compra.

Se nesta fase é impossível não errar, trazemos aqui um cinco dicas para você fugir das armadilhas mais comuns da seção de vinhos do seu mercado.

Lambrusco

Lambrusco é o nome do vinho e também da uva tinta típica da região da Emilia Romana na Itália. Esse estilo se tornou famoso no Brasil e em outras partes do mundo como aquele frisante tinto doce, pouco alcoólico, barato e muito servido em festas. Por ser um vinho fácil de beber, docinho e com uma quantidade de gás suficiente para esconder boa parte dos seus defeitos, o Lambrusco se tornou o vinho mais exportado da Itália.

Conhecedores dirão que um “verdadeiro Lambrusco” nada tem haver com esse xarope sem graça vendido barato nos supermercados. Minha sugestão é que até você se tornar um expert em vinhos da Itália, fique longe destas bombas.

Qualquer vinho “suave”

Suave é um vinho elaborado com uvas comuns de espécies nativas americanas, como Concord, Herbermont, Niágara, Isabel e outras. Estes vinhos sempre possuem alto teor de açúcar, acima de 20 gramas por litro, sendo este adicionado ao vinho, e podem ser facilmente identificados pelo rótulo. São vinhos bem tradicionais no Brasil que é o maior produtor mundial de vinhos com uvas americanas.

Discutir gosto sempre é algo complicado, mas estes vinhos são claramente mais simples e produzidos em grandes quantidades para consumo imediato. Se você está começando a aprender mais sobre o assunto, está na hora de ficar longe dos “suaves”.

Em tempo, existem alguns artistas no Brasil que tem usado técnicas modernas e elaboradas para fazer vinhos superiores e ainda assim “suaves”. Pizzato e Monte Paschoal são duas vinícolas que tem reputação no assunto, mas confesso que nunca experimentei nenhum deles.

Vinho alemão de garrafa azul

No Brasil dos anos 1970, o importador brasileiro Otávio Piva de Albuquerque, dono da Expand, convenceu o produtor alemão de vinhos, Josef Friederich, a comercializá-lo no Brasil em garrafas azuis e a um preço bastante acessível. Era o Liebfraumilch, um Riesling de qualidade duvidosa mas que mudou o mercado de vinhos no Brasil, até então dominado por vinho de mesa nacional.

Não é exatamente fácil encontrar esses vinhos no mercado hoje, mas a qualidade segue igualmente duvidosa.

Vinho nacional que imita alemão de garrafa azul

Se não podemos recomendar o original, o que dizer da versão brasileira do Liebfraumilch, igualmente branco e doce? Acho que não precisamos nem falar muito sobre ele certo?

Vinho italiano embalado na palha

Durante muitos anos os vinhos Chianti foram comercializados quase que exclusivamente em garrafas com o peculiar nome de Fiasco – uma garrafa bojuda e protegida por uma cobertura de palha, como essa aqui:

Fiasco

Essa garrafa é um fiasco

Como nesta época os Chianti eram vinhos baratos, bem mais preocupados com produzir quantidade do que qualidade, a imagem dos Fiascos ficou abalada junto com o vinho.

Nas últimas décadas, com o renascimento dos vinhos Chianti da Toscana, o mesmo não aconteceu com as garrafas com palha, sobrando apenas algumas poucas vinícolas que apostando em saudosismo voltaram a apostar no formato. Como poucos são destaques pela qualidade, não vale a pena arriscar sem saber bem o que está fazendo.

Uma pena… Eu pessoalmente adoro os Fiascos.